A paisagem urbana de uma cidade compõe-se de escritas múltiplas que estão em constante alteração. Em uma sociedade na qual tudo se desmancha para dar origem ao novo, a comunicação publicitária impulsiona a sociedade de consumo. A efemeridade do outdoor pode ser aqui resgatada como protótipo desta velocidade, denunciando com seus resíduos, de que forma o espaço público está sujeito à retórica do consumo. O que parece resíduos para alguns, constitui-se terreno fértil da produção visual para outros. “Colando Descolagem” é um trabalho movido pela paixão de um fotógrafo em registrar o sucessivo colar e descolar dos cartazes, a poética da fotografia na cidade. Claudio Brandão atua como alguém que toma nota destas disputas do rico espaço expositivo que é a cidade de Florianópolis. Acredita que o sucessivo colar e descolar dos cartazes de certa forma é comparável com a própria modificação da cidade, com um constante renascimento diário, sempre trazendo do novo, um pouco do que está embaixo. Tem como referência Jaques Villefgé que, já nos anos 1950, registrava os des-cartazes descartáveis da cidade de Paris. Em seu discurso, espera que essas imagens que ele captura e armazena, possam interessar alguém, algum acadêmico que, ao encontrá-las ocasionalmente, vai estudá-las “como pistas para entender uma época”. (Brandão, 2008:44)
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