sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

"Metáfora do esgrimista"





Estava aqui organizando um portfólio quando fui buscar a poesia "Aspirações" do Cruz e Sousa na internet, para complementar informações sobre a obra "Metáfora do esgrimista", quando encontrei o blog de Leo Nogueira Paqonawta, que é Pedagogo, Artista Gráfico e que descreve de forma emocionada o encontro que teve com o poema "Aspiração" de Cruz e Sousa, que gravei na calçada da Rua Ferreira Lima . Centro . Florianópolis . SC. Brasil.

 

         

Cruz e Sousa*

 

Tu és a estrela e eu sou o inseto triste!

Vives no Azul, em cima nas esferas,

No centro das risonhas primaveras

Onde por certo o amor eterno existe.

 

E nem de leve a glória vã me assiste

De erguer o vôo às olímpicas quimeras

Do teu brilho ideal, lá onde imperas

Nesse esplendor a que ninguém resiste.

 

Enquanto tu fulgires nas alturas

Eu errarei nas densas espessuras,

Da terra sobre a rigidez de asfalto.

 

Embalde o teu clarão me enleva e clama!

Mas como a ti voarei, se, senti a chama

Sou tão pequeno e o céu tão alto?

 

(...)

 

Escrito na calçada do Edifício Anabella Residence
Rua Ferreira Lima . Centro . Florianópolis . SC. Brasil
Lindo, lindo, lindo...
Encontro do poeta ilhéu desterrado em Minas,
e do pé-rapado desterrado das Geraes morando aqui na Ilha...
Suspiro... eu é que fui encontrado por Ele, enquanto andando cego pelas ruas...
Benzadeus que eu tenho o que é por muitos considerada "deficiência" po-ética...
Chorei... que às vezes andando feito cego pelas ruas,
são os pés nos fazem re-vi-ver belezuras,
despertando e nos libertando de todos os desterros
para a cidadania cósmica, po-ética, das estrelas...
Intão... "caminhei" na poesia dele exatos 114 anos depois, no dia 19 de março de 2012... Apesar do antigo Palácio do Governo aqui na Praça XV de novembro levar seu nome, não houve "nota" nenhuma que falasse de seu aniversário de estrelice nos meios de comunicação. Pois é... PPP, preto, pobre e poeta... Nojento...""
http://poemeuseseus.blogspot.com.br/2012/03/aspiracao.html

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

SOU PORQUE NÓS SOMOS - Chinacota Norte de Santander - Colômbia



SOU PORQUE NÓS SOMOS


Carlos Anc Millán e Giovana Zimermann
O mural realizado em Chinacota Norte de Santander – Colômbia teve como  tema “POR LA PAZ DE NUESTROS PUEBLOS”. Entendemos que a simplicidade profunda da filosofia ubuntu, seria um conceito importante para favorecer essa reflexão.  Ubuntu considera a “humanidade para com os outros”, é ter a consciência de que somos afetados quando nossos semelhantes são diminuídos ou oprimidos. O mundo não é uma ilha: “ eu sou porque nós somos”.
O projeto foi complementados pelo grafismo, inspirado em Sol LeWitt.
Nos encontramos como “pares” para uma obra plena da confluência dos gestos. Interagíamos mutuamente no grafismo, o primeiro desenhador desenha linhas que passam a ser complementados com o gesto do outro. O ambiente se tornou envolvente e cheio da pulsão cuja delicadeza e singeleza das linhas motivou-nos a dispensar horas para realizar tal tarefa, e a geografia do desenho carrega a visibilidade de um corpo. O embate do corpo com o ambiente proporciona a formação de um espaço a partir de uma paisagem –  papel, parede, cidade. O geógrafo Milton Santos diferencia espaço de paisagem. Sendo espaço uma paisagem impregnada de relações do homem com seu presente. 
Diz o autor: “Paisagem e espaço não são sinônimos. A paisagem é o conjunto de formas que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre homem e natureza. O espaço são essas formas mais a vida que as anima".

https://www.facebook.com/encuentromuralismochinacotacolombia?fref=ts


segunda-feira, 24 de março de 2014

O Poro - intervenções urbanas

O Poro é uma dupla de artistas que atua com intervenções urbanas e ações poéticas desde 2002. Em sua trajetória realizou uma série de publicações sobre seus projetos e sobre arte no espaço público, reflexões sobre a cidade, intervenções efêmeras, apropriações midiáticas, o gráfico no espaço urbano, arte política/poética etc. Todas as publicações estão disponíveis para download gratuito no endereço:
http://poro.redezero.org/publicacoes/

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

VAZIO NO JOGO POLÍTICO



“Que pretendem dizer os monumentos dentro da simbologia urbana contemporânea?” Canclini

Quando estudei a Praça XV, busquei investigar o caráter simbólico do monumento, sua gênese crítica e seu papel no desenvolvimento urbano de Florianópolis, isto é, buscar compreender o que a estratégia de edificações de monumentos significou no período e o que significa na atualidade. As memórias afirmadas no espaço público foram quase sempre “forjadas” por interesses hegemônicos, citando o antropólogo Néstor Canclini: “As relações entre governo e povo consistem na encenação do que se supõe ser patrimônio definitivo da nação. Lugares históricos e praças, palácios e igrejas servem de palco para representar o destino nacional, traçado desde a origem dos tempos”.
No caso dos bustos da Praça XV de Novembro a finalidade foi exaltar a República, uma iniciativa de José Boiteux, que segundo Celso Martins foi um “semeador de estátuas”. A disposição dos bustos obedecia a uma simetria rígida, quase militar. Ladeando o Monumento aos Voluntários da Guerra do Paraguai (uma casa impenetrável, sem portas nem janelas), estavam dispostos os bustos de Cruz e Sousa, Victor Meirelles, Jerônimo Coelho e José Boiteux. No ano de 2009 a herma do jornalista Jerônimo Coelho foi deslocada do ponto original em direção ao limite do jardim, recebeu uma plataforma de granito estrategicamente emoldurada por duas palmeiras adultas; sua visibilidade noturna também foi favorecida por dois holofotes. Apesar de a linguagem dos monumentos não estabelecer mais uma referência direta com a população como no passado, a estratégia denota um investimento na manutenção do funcionamento do jogo político. 
Mas a resistência frente às imposições da memória faz parte da história de Santa Catarina. Refiro-me ao episódio de 30 de novembro de 1979: o protesto pacífico de estudantes universitários contra a inauguração da placa em homenagem a Floriano Peixoto, alusiva aos 90 anos da República, que seria inaugurada na Praça XV de Novembro, durante a visita do então Presidente da República, o General João Baptista Figueiredo. Um protesto que acaba por se transformar em uma revolta popular que ficou conhecida como Novembrada. Como arquivo da memória, o episódio político motivou a produção de um curta-metragem ficcional em 1998, intitulado Novembrada, dirigido por Eduardo Paredes.
A Praça XV de Novembro é feita de dobras, de camadas diversas, é um microterritório, político, sagrado e profano. Também um campo de pesquisa para a Arte Pública contemporânea que está para além das formas instituídas de representação do poder: e que chamei “arte pública no campo da possibilidade”.  Alguns importantes nomes, tais como: Cruz e Sousa, Victor Meirelles, Francklin Cascaes e Hassis aparecem no trabalho, potencializando as manifestações artísticas na cidade que convergem para a praça, atualizando-a como cenário da arte contemporânea e afirmando a sua presença urbanística como palco dos encontros que estão ao limiar da arte/ação/sociedade.
A cidade é o cenário onde os fenômenos estéticos são reatualizados constantemente, aparecendo novas estratégicas de atuações artísticas, de raiz ativista e performativa, que aspiram a influenciar politicamente o espaço sociológico da cidade. Pode ser interessante investir em novos olhares sobre as personalidades ou até mesmo sobre o fato ocorrido – o furto dos bustos de Jerônimo Coelho, Victor Meirelles, Cruz e Sousa e José Boiteux. Antes de sairmos todos atrás do bárbaro, é importante pensar no que está por traz do ato, que é no mínimo o sintoma social de “não pertencimento”.
O episódio é percebido como algo que está fora do mundo civilizado, mas é justamente o espelho da civilização que não quer ver os excluídos, os que não têm cidadania. “Sem bárbaros o que será de nós? Ah! eles eram uma solução” (Kaváfis, Antes de 1911). O que proponho não se trata de higienização, de simplesmente ordenar o espaço público, essa estratégia já ocorreu quando o Jardim Oliveira Belo foi inaugurado no dia 6 de abril de 1891. Hoje a disciplinarização aparecem de outra forma, na cidade contemporânea a vigilância é eletrônica, mas as câmeras de segurança da praça resultaram ineficientes.
Em Sujeitos suspeitos, imagens suspeitas: Cultura Midiática e Câmera de Vigilância, Aglair Bernardo comenta que quando analisava as imagens das câmeras de vigilância, se sentia atraída pelos vazios urbanos, pelas formas abstratas, pelos tons acinzentados que se expandiam nas telas. Inicialmente era uma observação formal e estética, mas passa por uma reflexão contextual, ainda que artística do pathos trágico. Em suas palavras, “aquelas mesmas imagens, que poderiam estar expostas em qualquer galeria de arte, não foram resultados de um gesto artístico, mas sim foram estrategicamente construídas por um outro tipo de olhar que entendia que naqueles pequenos trechos um crime poderia ocorrer”. De fato, os bárbaros chegaram. Em 22 de agosto de 2008, ocorreu um assassinato na Praça XV de Novembro, segundo o registro das câmeras de vigilância da Polícia Militar, os disparos foram feito por dois jovens de 15 e 17 anos e aconteceram às 13h07 min.
Concluímos que abordar o espaço público é abordar a diversidade, ou seja, as implicações sociológicas que ele compreende. Falar da memória no espaço público não reside em menor complexidade, as práticas memorialísticas precisam tomar como ponto de partida o conjunto das relações humanas em seu contexto social. As pessoas são testemunhas dos fatos sociais e esses, por sua vez, dependem das versões e dos olhares humanos para se configurarem como tais, em certo tempo e lugar. Por respeitar o patrimônio histórico é que acredito não fazer sentido colocar novos bustos, repetir uma estratégia que não estabelece mais uma referência direta com a população. De certa forma, a arte em alguma instância estará sempre se reportando ao passado, no entanto, esse exercício precisa ser atualizado com a linguagem e com técnicas que estabeleçam uma relação mais coerente com as pessoas, no espaço e tempo em que elas vivem e que irá garantir a conexão do passado para se pensar o presente. Que outro objetivo poderia existir?


Giovana Zimermann
Artista Visual e mestre em Arquitetura
e Urbanismo pela UFSC.






quinta-feira, 16 de maio de 2013

SANEAMENTO BÁSICO POUR ENFANTS DU MONDE











“Les Enfants du Mondo” de Rachid KHIMOUNE.


Caminhando pelo Parc de Bercy - Paris, encontrei “Les Enfants du Mondo” de Rachid KHIMOUNE. O artista trabalha com a inclusão de relevos de tampas e acessórios urbanos (o que chamou minha atenção), na construção de representações das crianças do mundo. Quando cheguei diante de Antônio (o brasileirinho) fiquei muito intrigada, então resolvi instalar “Saneamento Básico”  com a frase: “é necessário um olhar estrangeiro para descobrir a cidade”. A frase remete ao olhar estrangeiro, mas investigativo, porque acredito que só podemos enxergar o que faz sentido para nós. 

http://paris1900.lartnouveau.com/paris12/parc_de_bercy/statues.htm